Um detalhe do cano por onde passava o pistão mostrando o recorte para a vedação:
O mesmo principio foi do Aeromóvel foi empregado em Oxfordshire de forma experimental e ainda é possível ver uma seção dos trilhos na foto abaixo
O aeromóvel voltou a ser discutido. Linhas de aeromóvel vem sendo pensadas para complementar o sistema de transporte coletivo da região metropolitana. Além da linha para fazer a baldeação entre o aeroporto e o Trensurb estão sendo feitos estudos para integrar os bairros mais populosos de Canoas.
No país todo mobilidade urbana tem sido discutida. Aqui em Pelotas e em outras regiões, como a serra, trens de passageiros tem sido pensados e estão sendo estudados. Em Porto Alegre e várias cidades maiores em todo país se estudam linhas de metrô, BRT (sistemas rápidos de transporte usando ônibus, como Curitiba) e trens leves (VLT e APM - que é a categoria do aeromóvel).
Isso é muito positivo: mobilidade urbana é central para qualquer cidade. De fato, segundo muitos experts a mobilidade urbana é a pedra fundamental sobre a qual se constroi uma cidade. Países em rápido desenvolvimento urbano hoje estão tendo o mesmo tipo de discussão. A volta ao transporte sobre trilhos é uma realidade em países tão distantes geográfica e culturalmente como o Brasil e a Malásia.
Um dos maiores fornecedores desse tipo de produto hoje é a arquirrival da Embraer, a canadense Bombardier.
Não deveria ser surpresa que na virada do século XIX para o XX esse mesmo processo de busca de soluções para transporte urbano ocorria no Reino Unido. Mas confesso que fiquei surpreso ao ver que lidando com problemas similares haviam chegado a uma solução bastante similar ao aeromóvel.
A Dalkey Atmospheric Railway, implementada na Irlanda, usava compressores estáticos que impulsionavam um pistão em um tubo que corria ao longo da ferrovia. Esse pistão era ligado por um rasgo sobre o tubo que era preso ao vagão. A pressão era mantida com vedantes de couro lubrificado. A ilustração no topo desse artigo mostra a locomotiva e a seção de tubo a logo abaixo. A linha operou durante onze anos (1843-1854) integrada ao restante do sistema de transporte transportando pessoas além de ser uma grande atração tecnológica local.
Algumas das vantagens desse tipo de solução claramente apelavam par a era das máquinas a vapor. Sobretudo a facilidade de os motores para os pesados compressores não terem de ser colocados nos vagões. Outras vantagens eram:
Curvas mais abruptas
Subidas e declives mais elevados
Segurança intrínseca (dois carros não podem colidir)
As mesmas vantagens hoje demonstradas pelo aeromóvel. Apesar da operação muito bem sucedida, a grande dificuldade para a tecnologia foram as vedações de couro, que eram comidas por ratos e difíceis de manter na época. A redução das locomotivas e, mais tarde, as locomotivas elétricas acabaram tirando o sistema de uso.
Abaixo o vídeo de um documentário antigo do Discovery sobre a linha do aeromóvel em operação em um parque de Jakarta, na Indonesia. O vídeo é particularmente bom ao mostrar o sistema de velas (ao invés de pistões) e compressores que move o sistema todo.
Se formos pensar em termos de historia da tecnologia, de fato, o salto conceitual foi muito maior para o brasileiro que partiu do conceito do barco a vela.
Para os engenheiros britânicos o conceito seria muito mais evidente, pois o transporte de objetos objetos através de tubos pneumáticos era uma tecnologia emergente na virada do século retrasado.
Tubos pneumáticos transportavam pequenas cargas e mensagens em muitos edifícios e mesmo em centros de algumas cidades. Ainda existem alguns em operação como o ao lado.
Daí a ideia de usar algo semelhante para transportar pessoas era um salto relativamente pequeno.
A existência de sistema similar anterior em nada desmerece a invenção completamente autônoma de Oskar Coester. Pelo contrário: apenas mostra que encarando problemas similares, grandes mentes chegam a soluções similares.